sexta-feira, 8 de julho de 2011

Oficina de Texto: Exercício de escrita criativa

A velha casa
Deixou a faca sobre a mesa, bateu a porta a suas costas e saiu atormentado pela noite nebulosa.
Parado em meio as árvores, olhava o lago, agora congelado, onde passara tantos verões na infância. Alimentando os pássaros, em volta da fogueira com os meninos ouvindo as velhas histórias na voz rouca do pai. Sempre que se sentia triste ou sozinho gostava de voltar a aquela casa. Procurava lá um centelha que fosse, de toda a felicidade e da tranquilidade que irradiava quando jovem. Procurava a inocência, o sol desaparecendo atrás das árvores, a voz doce da mãe. Procurava por si!
A rotina o tornara amargo, a vida já não tinha o mesmo brilho. Sentia-se incapaz de ser feliz novamente, de fazer alguma coisa que pudesse mudar. Naquele dia, quando saiu do trabalho, assustou-se com a ideia de voltar para sua casa vazia, sem ninguém o esperando na varanda. Saiu sem destino. Andou, andou e andou. Foi quando pensou na velha casa. Tudo estava lá, no mesmo lugar, mas não era a mesma coisa. Para ele, a vida já não fazia sentido, não tinha ninguém para sentar a mesa, ninguém para contar sobre o seu dia. Sentia-se fraco, mas sobretudo covarde, por não ser capaz de tirar a própria vida.

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